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"Julgamentos precipitados "Autor desconhecido

"O Encanto Nosso de Cada Dia!" Padre Fábio de Melo

"Paradoxo do Nosso Tempo" George Carlin


O que fazer para evitarmos o mal de Alzheimer? Roberto Goldkorn

Sensatez Herbert Viana

"Os Quatro Compromissos" Luiz Alca de Sant'Anna

"Seja você mesmo" Madre Teresa de Calcutá

"Regras para ser Humano" Palden Jenkins

"Crise" Albert Einstein

"A Paz" Jean Leloup

"Envelhecimento" Dr. Mehmet Oz

"Que a vida lhe beije na boca " Hilda Lucas

"Relacionamentos" Arnaldo Jabor

"Se não quiser adoecer, fale de seus sentimentos..." Dr. Dráuzio Varela

"Não estás deprimido, estás distraído..." Facundo Cabral

"Beijo na Realidade " Luiz Alca de Sant’Anna

"Cuidado com os burros motivados" Camilo Vannuci

 

 

 

Mural Netcor

"Família é prato difícil de preparar"

Francisco Azevedo

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.

O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você? É, você mesmo, que veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meuni; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é a Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho como eu. O que este veterano pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo.

Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.


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Julgamentos Precipitados

Autor desconhecido

Havia numa aldeia um velho muito pobre, mas até reis o invejavam, pois ele tinha um lindo cavalo branco...
Reis ofereciam quantias fabulosas pelo cavalo, mas o homem dizia:- Este cavalo não é um cavalo para mim, é uma pessoa. E como se pode vender uma pessoa, um amigo? O homem era pobre, mas jamais vendeu o cavalo. Certa manhã, descobriu que o cavalo não estava na cocheira.
A aldeia inteira se reuniu, e disseram:
-- Seu velho estúpido! Sabíamos que um dia o cavalo seria roubado. Teria sido melhor vendê-lo. Que desgraça!
O velho disse:
-- Não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está na cocheira. Este é o fato, o resto é julgamento. Se se trata de uma desgraça ou de uma bênção, não sei, porque este é apenas um julgamento. Quem pode saber o que vai se seguir?
As pessoas riram do velho. Elas sempre souberam que ele era um pouco louco. Mas, quinze dias depois, de repente, à noite, o cavalo voltou. Ele não havia sido roubado, ele havia fugido para a floresta. E não apenas voltara, mas trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.
Novamente, as pessoas se reuniram e disseram:
-- Velho, você estava certo. Não se trata de uma desgraça, na verdade provou ser uma bênção.
O velho disse:
-- Vocês estão se adiantando mais uma vez. Apenas digam que o cavalo está de volta... Quem poderá saber se é uma bênção ou não? Este é apenas um fragmento. Se você lê uma única palavra de uma sentença, como poderá julgar todo o livro?
Dessa vez, as pessoas não podiam dizer muito, mas interiormente sabiam que ele estava errado. Doze lindos cavalos tinham vindo...O velho tinha um único filho, que começou a treinar os cavalos selvagens. Apenas uma semana mais tarde, ele caiu de um cavalo e fraturou as pernas. As pessoas se reuniram e, mais uma vez, julgaram.
Elas disseram:
-- Você tinha razão novamente. Foi uma desgraça. Seu único filho perdeu o uso das pernas, e na sua velhice ele era seu único amparo. Agora você está mais pobre do que nunca.
O velho disse:
-- Vocês estão obcecados por julgamento. Não se adiantem tanto. Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe se isso é uma desgraça ou uma bênção. A vida vem em fragmentos; mais que isso, nunca é dado.
Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra, e todos os jovens da aldeia foram forçados a se alistar. Somente o filho do velho foi deixado para trás, pois recuperava-se das fraturas. A cidade inteira estava chorando, lamentando-se porque aquela era uma luta perdida e sabiam que a maior parte dos jovens jamais voltaria.
Elas vieram até o velho e disseram:
-- Você tinha razão, velho. Aquilo se revelou uma bênção. Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está com você. Nossos filhos foram-se para sempre.
O velho disse:
-- Vocês continuam julgando. Ninguém sabe! Digam apenas que seus filhos foram forçados a entrar para o exército e que meu filho não foi. Mas somente Deus sabe se isso é uma bênção ou uma desgraça. Não julguem, porque dessa maneira jamais se tornarão uno com a totalidade.
Na verdade, a jornada nunca chega ao fim. Um caminho termina e outro começa; uma porta se fecha, outra se abre. Aqueles que não julgam estão satisfeitos simplesmente em viver o momento presente e nele crescer...
Somente eles são capazes de caminhar com Deus. Na próxima vez que você for tirar alguma conclusão apressada sobre um assunto ou sobre uma pessoa, lembre-se desta mensagem!


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O Encanto Nosso de Cada Dia!

Padre Fábio de Melo

Ainda bem que o tempo passa! Já imaginou o desespero que tomaria conta de nós se tivéssemos que suportar uma segunda feira eterna?
A beleza de cada dia só existe porque não é duradoura. Tudo o que é belo não pode ser aprisionado, porque aprisionar a beleza é uma forma de desintegrar a sua essência. Dizem que havia uma menina que se maravilhava todas as manhãs com a presença de um pássaro encantado. Ele pousava em sua janela e a presenteava com um canto que não durava mais que cinco minutos. A beleza era tão intensa que o canto a alimentava pelo resto do dia. Certa vez, ela resolveu armar uma armadilha para o pássaro encantado. Quando ele chegou, ela o capturou e o deixou preso na gaiola para que pudesse ouvir por mais tempo o seu canto. 
O grande problema é que a gaiola o entristeceu, e triste, deixou de cantar. 
Foi então que a menina descobriu que, o canto do pássaro só existia, porque ele era livre. O encanto estava justamente no fato de não o possuir. Livre, ele conseguia derramar na janela do quarto, a parcela de encanto que seria necessário, para que a menina pudesse suportar a vida. O encanto alivia a existência...Aprisionado, ela o possuia, mas não recebia dele o que ela considerava ser a sua maior riqueza: o canto!
Fico pensando que nem sempre sabemos recolher só encanto... Por vezes, insistimos em capturar o encantador, e então o matamos de tristeza.
Amar talvez seja isso: Ficar ao lado, mas sem possuir. Viver também. 
Precisamos descobrir, que há um encanto nosso de cada dia que só poderá ser descoberto, à medida em que nos empenharmos em não reter a vida.
Viver é exercício de desprendimento. É aventura de deixar que o tempo leve o que é dele, e que fique só o necessário para continuarmos as novas descobertas.
Há uma beleza escondida nas passagens... Vida antiga que se desdobra em novidades. Coisas velhas que se revestem de frescor. Basta que retiremos os obstáculos da passagem. Deixar a vida seguir. Não há tristeza que mereça ser eterna. Nem felicidade. Talvez seja por isso que o verbo dividir nos ajude tanto no momento em que precisamos entender o sentimento da tristeza e da alegria. Eles só são suportáveis à medida em que os dividimos...
E enquanto dividimos, eles passam, assim como tudo precisa passar.
Não se prenda ao acontecimento que agora parece ser definitivo. O tempo está passando... Uma redenção está sendo nutrida nessa hora...
Abra os olhos. Há encantos escondidos por toda parte. Presta atenção. São miúdos, mas constantes. Olhe para a janela de sua vida e perceba o pássaro encantado na sua história. Escute o que ele canta, mas não caia na tentação de querê-lo o tempo todo só pra você. Ele só é encantado porque você não o possui. 
E nisto consiste a beleza desse instante: o tempo está passando, mas o encanto que você pode recolher será o suficiente para esperar até amanhã, quando o passaro encantado, quando você menos imaginar, voltar a pousar na sua janela.


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Paradoxo do Nosso Tempo

George Carlin

Nós bebemos demais, gastamos sem critérios. Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e raramente estamos com Deus.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.
Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos..
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos cada vez menos.
Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.
Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas 'mágicas'.
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.
Lembre-se de ficar mais tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão aqui para sempre.
Lembre-se dar um abraço carinhoso em seus pais, num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer.
Lembre-se de dizer 'eu te amo' à sua companheira(o) e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, se ame... se ame muito.
Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro.
Por isso, valorize sua familia e as pessoas que estão ao seu lado, sempre.


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O que fazer para evitarmos o mal de Alzheimer?

Roberto Goldkorn (Psicólogo e escritor)

"A cada minuto de tristeza perdemos a oportunidade de sermos felizes por 60 segundos."

O que fazer para evitarmos o mal de Alzheimer?
Ler muito, escrever, buscar a clareza das idéias, criar novos circuitos neurais que venham a substituir os afetados pela idade e pela vida 'bandida'.
Meu conselho: não cheguem ao topo, nunca, pois dali só há um caminho: descer.
Inventem novos desafios, façam palavras cruzadas, forcem a memória, não só com drogas (não nego a sua eficácia, principalmente as nootrópicas), mas correndo atrás dos vazios e lapsos.
Eu não sossego enquanto não lembro do nome de algum velho conhecido, ou de uma localidade onde estive há trinta anos.
Leiam e se empenhem em entender o que está escrito, e aprendam outra língua, mesmo aos sessenta anos.
Coloquem a palavra FELICIDADE no topo da sua lista de prioridades:
7 de cada 10 doentes nunca ligaram para essas'bobagens' e viveram vidas medíocres e infelizes - muitos nem mesmo tinham consciência disso.
Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro.
Invente novas receitas, experimente (não gosta de ir para a cozinha? Hum... Preocupante).
Lute, lute sempre, por uma causa, por um ideal, pela felicidade. Parodiando Maiakovski, que disse "melhor morrer de vodca do que de tédio", eu digo: melhor morrer lutando o bom combate do que ter a personalidade roubada pelo Alzheimer.
Dicas para escapar do Alzheimer:
Uma descoberta dentro da Neurociência vem revelar que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões.
Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que aNEURÓBICA, a 'aeróbica dos neurônios', é uma nova forma de exercício cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios.
Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso; limitam o cérebro.
Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios 'cerebrais' que fazem as pessoas pensarem somente no que estão
fazendo, concentrando-se na tarefa.
O desafio da NEURÓBICA é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional.

Tente fazer um teste:
- use o relógio de pulso no braço direito;
- escove os dentes com a mão contrária da de costume;
- ande pela casa de trás para frente; (vi na China o pessoal treinando isso num parque);
- vista-se de olhos fechados;
- estimule o paladar, coma coisas diferentes;
- veja fotos de cabeça para baixo;
- veja as horas num espelho;
- faça um novo caminho para ir ao trabalho.

A proposta é mudar o comportamento rotineiro!
Tente, faça alguma coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu cérebro.
Vale a pena tentar!
Que tal começar a praticar agora, trocando o mouse de lado?
Que tal começar agora enviando esta mensagem, usando o mouse com a
mão esquerda?


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Sensatez

Cantor e Compositor: Herbert Viana

"Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados nem acusar, ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?Uma coisa é saúde outra é obsessão.O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje Deus é a auto imagem. Religião é dieta. Fé só na estética. Ritual é malhação. Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem. Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa mais nada além da imagem, imagem, imagem.. estética, medidas, beleza.
Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda. Nada mais importa. Não importa o outro, o coletivo. Jovem não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada. Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal, mas...
Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.


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Os Quatro Compromissos

Dinâmica de Grupo (Filosofia do Comportamento)

Professor: Luiz Alca de Sant' Anna

Os sábios tóltecas, povo que habitava a região do atual México preservavam muito a liberdade que nos concedemos, aquela que vem da alma e que aflora à medida que nos livramos de parasitas que nos impedem de entender o próprio Eu e em nome dele, assumimos compromissos de fé e caráter que nos ajudam a entender o verdadeiro fundamento da passagem, clareando a proposta de evolução. Os grandes impedimentos estão em três símbolos: o Juiz, a Vitima e o Sistema de Crenças, que nos cega, fazendo com que tenhamos a necessidade de estar certos e tornar os outros errados. É como um nevoeiro, que eles chamavam de "mitote", que não nos permite enxergar; o que os hinduístas chamam de "maya", a ilusão, o que a gente acredita ser pelas aparências e influências e que faz com que se resista ao fundamental: ser quem somos.

Primeiro compromisso - Ei-lo: Seja impecável (sem pecado) com sua palavra. Ela é o poder que você tem de criar, o dom que vem diretamente da Força Criadora, compõe o desejo, a vontade, o querer. Tanto pode criar quanto destruir. As sementes do homem são as opiniões, idéias, conceitos. O dar crédito é o ponto-chave do Sistema de Crenças; é preciso transformar o veneno emocional em análise para o alcance da verdade de nós mesmos, o que é fundamental para a evolução.

Segundo compromisso - Resume-se no pedido: Não leve nada para o lado pessoal. Não absorva insultos e nem se deixe levar por convencimentos ou bajulações, por mais que analise e agradeça os elogios. Cometemos a presunção de achar que tudo é sobre nós. Isso faz parte da domesticação, centralizar e fixar no ego, todas as considerações. Capte o quanto a opinião do outro sobre nós é tão mais dele do que nossa. Não se torne presa fácil de predadores ou feiticeiros das palavras. Não assuma lixos emocionais que não seriam seus; torne-se imune ao veneno no meio do inferno: essa é a dádiva desse compromisso.

Terceiro compromisso - Não tire conclusões. Atenha-se apenas à realidade imediata e concreta e depois coloque tudo na balança para a auto-análise. Ao contrário do que se prega, a transparência não vem dos outros, começa em nós. Presumir é menos inteligente do que parece. Sempre que fazemos presunções, estamos engolindo problemas e criando conflitos do nada. Não tenha medo de fazer perguntas, pedir esclarecimentos. A consciência ampliada nos mostra que apenas enxergamos o que queremos e escutamos o que nos convém. Deixe a fantasia em seu devido lugar e não cometa o erro de achar que o amor é sempre pressuposto de clareza.

Quarto compromisso - Sempre dê o melhor de si. Em qualquer circunstância, mesmo em situações que pareçam insignificantes. Não se trata de esforços extenuantes, mas de aproveitar a motivação. Tenha em mente o seu "melhor" e que ele nunca será o mesmo de um período para o outro; daí a importância de se renovar o entusiasmo. Não faça para ser amado (isso pode ser medo), mas faça por amor, o que afasta arrependimentos. Quando você faz o melhor que pode, aprende a aceitar a si mesmo e que agir é a sua melhor conquista de identidade. Quando você dá o melhor de si, tira do Juiz a chance de culpá-Io ou condená-Io.

Condutor do próprio sonho - Os tóltecas cuidavam para que as pessoas não deixassem de ser os mestres do próprio sonho, conduzindo-o através do nevoeiro, o "mitote". Para isso é preciso lutar por três domínios: o da Consciência, o da Transformação e o da Intenção, que libertam da domesticação social que nos foi imposta e transforma energia material em emocional em nosso cérebro. Por isso, apelam para a dignidade da rebeldia para não sermos vítimas inocentes de nossa frivolidade. E passar a enxergar a vida com os olhos do auto-amor que se expande ao próximo. Esse é o sábio Ponto do Alcance, o que Moisés chamou a Terra Prometida; Buda, de Nirvana e Jesus Cristo, de Céu. Onde não há motivos para sofrimentos desnecessários e todas as razões para ser feliz. Chegamos então à compreensão da escolha fatal: sofrer o nosso destino ou aproveitar o nosso destino, entre alegrias e dores. A escolha é nossa, vencidas as barreiras e assumidos os bons compromissos. Aliás, qual está sendo a sua?


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Seja você mesmo

Madre Teresa de Calcutáca

Dê sempre o melhor...
e o melhor virá.

Às vezes, as pessoas são egocêntricas,
ilógicas e insensatas...
Perdoe-as assim mesmo.

Se você é um vencedor,
terá alguns falsos amigos e
alguns inimigos verdadeiros...
Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco,
as pessoas podem enganá-lo...
Seja honesto e franco assim mesmo.

O que você levou anos para construir,
alguém pode destruir
de uma hora para outra...
Construa assim mesmo.

Se você tem paz e é feliz,
as pessoas podem sentir inveja...
Seja feliz assim mesmo.

O bem que você faz hoje
pode ser esquecido amanhã...
Faça o bem assim mesmo.

Dê ao mundo o melhor de você,
mas isso pode nunca ser o bastante...
Dê o melhor de você assim mesmo.

E veja você que, no final das contas,
tudo é entre você e Deus (mesmo que hoje você não acredite)
Nunca foi entre você e as outras pessoas!


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Regras para ser Humano

Do livro “Vivendo no tempo” de Palden Jenkins - Editora Roca

1-Você receberá um corpo.
Pode gostar dele ou odiá-lo, mas ele será seu durante esta rodada.

2-Você aprenderá lições.
Você está matriculado numa escola informal de período integral chamada vida. A cada dia nesta escola, terá a oportunidade de aprender lições. Você poderá gostar dessas lições ou considerá-las irrelevantes ou estúpidas.

3-Não existem erros, apenas lições.
O crescimento é um processo de tentativa e erro: experimentação.
As experiências que não deram certo fazem parte do processo, assim como as bem-sucedidas.

4-Cada lição será repetida até que seja aprendida.
Cada lição será apresentada a você de diversas maneiras, até que a tenha aprendido. Quando isto ocorrer, poderá passar para a seguinte.

5-O aprendizado nunca termina.
Não existe parte da vida que não contenha lições. Se você esta vivo, há lições para aprender.

6- “Lá” não é melhor do que “aqui”.
Quando o seu lá se torna aqui, você simplesmente encontrará outro lá que parecerá novamente melhor do que aqui.

7-Os outros são apenas seus espelhos.
Você não pode amar ou detestar algo em outra pessoa, a menos que isso reflita algo que você ama ou detesta em si mesmo.

8 -O que fizer de sua vida é responsabilidade sua.
Você tem todos os recursos de que necessita; o que fará com eles é de sua responsabilidade. A escolha é sua.

9-As respostas estão dentro de você.
Tudo o que tem a fazer é analisar, ouvir e acreditar.

10-Você se esquecerá de tudo isso.


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Crise

Albert Einstein

"Não pretendemos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado". Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise é a crise de incompentência. O incoveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la."


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A Paz

Jean Leloup

Paz, em hebraico, é Shalom, e, literalmente, Shalom quer dizer: “estar inteiro”, “estar em repouso”...  É então conveniente que perguntemos: o que nos impede de estarmos inteiros?  O que  nos impede de experimentarmos o repouso, isto é, de estarmos em paz?
As respostas são múltiplas; destaco apenas as que me parecem essenciais;
-O que nos impede de estarmos inteiros, de estarmos inteiramente presentes na integridade do que somos, é o medo.
-O que nos permite estarmos inteiros, estarmos inteiramente presentes na integridade do que somos, é o amor.
O contrário do amor, e portanto da realização do que somos, não é fundamentalmente o ódio, e sim o medo.
Medo de quem?  Medo de que?
Medo de amar, melhor dizendo, de se perder, pois amar antes de se encontrar é perder-se.
Certamente, existe toda sorte de medo: do desconhecido, do sofrimento, do abandono, da morte...  Todos esses medos podem resumir-se num só: medo de ser “nada”.
Este medo nos leva a esforços inimagináveis, para provarmos a nós mesmos e aos outros que somos alguma coisa e que “vale a pena” sermos amados, que o merecemos...  Ser amado seria, portanto, um direito do homem?
Infelizmente, este é um segredo muito bem guardado: aquele que procura ou solicita o amor jamais o encontrará... 
Só o encontramos no momento em que o damos...  Unicamente quem ama, quem se torna amável e é capaz desse dom “gracioso” recebe o amor gratuitamente.
O Amor jamais se manifesta àquele que o pede, mas se revela sem cessar a quem o doa.  Aquele que compreendeu e viveu isto sente-se em paz.  E também inteiro, porque só o amor nos realiza (e é o cumprimento da lei).
O medo nos “castra”, torna-nos enfermos e impede a livre circulação da vida em todos os nossos membros.  E no Amor não há “membros impuros”: “Tudo é puro para aquele que é puro”; é o Amor que purifica.
Amar com todo o seu ser, este é o mandamento (mitzvah), ou, mais exatamente, o “exercício” que nos é proposto:
“Amarás com todo o teu coração, com todo o teu espírito, com todas as tuas forças”; isto traz também uma esperança. Um dia amarei inteiramente, não somente com o meu corpo, minha cabeça ou meu coração,  mas “inteiramente”; um dia, se almejo isto sem perder a esperança, estarei em paz. 
Pois é suficiente desejar amar, querer amar, mesmo que ainda não seja amar...  Bem sabemos que o inferno não está nos outros; o inferno é não amar, é não se amar inteiramente, até em nossa dificuldade e algumas vezes em nossa incapacidade de amar...
Nesse caso, talvez seja bastante não mais querer, não mais ter medo deste medo sutil, menos grosseiro, que é o medo de não ser amado, o medo de não amar...  Aquele que perdeu o medo de ser “nada” não tem mais medo de tudo; paradoxalmente, é o medo de ser nada que nos impede de ser tudo. 
Se aceitássemos, por um instante, este “nada” que somos, este “nada a mais e nada a menos” do que somos, então,  nesse mesmo momento, não haveria mais obstáculos à revelação e ao desdobramento do Ser que ama, em nós e através de nós.
Se, supostamente, ser amado é um direito do homem, ser capaz de doar é uma realização, uma graça divina concedida ao homem; a alegria de participar da Dádiva e da Vida do Ser que faz “girar a Terra, o coração humano e as demais estrelas”, generosamente...
Porém, não fosse pelo fato de nos “sentirmos mal”, como seria possível aceitarmos “ser nada” quando nos sentimos ser alguma coisa?  O termo “nada” pode parecer negativo; talvez fosse preciso dizer simplesmente “ser”, sem acrescentar qualquer palavra, para podermos pressentir que o que se soma ao “ser” é algo de “mental” e compreendermos melhor a palavra do Cristo, precedida pela de Buda (seis séculos antes): “O que é, é, o que não é, não é”.  Tudo o que é dito a mais vem do mental ou do “mau”, ou ainda, em algumas traduções, do “mentiroso”.
Sentir-se em paz é estar num corpo relaxado, com o coração livre e a mente serena.  E conhecendo melhor, hoje, as funções coordenadoras do cérebro, é sem dúvida pelo mental que devemos começar.  Ser nada a mais (e nada a menos) do que somos – estar em paz – pressupõe uma mente pacificada, em repouso, e é o segundo sentido da palavra shalom.
Por que não estamos em repouso?
Não somente há o medo de ser “nada” (ser mais ou ser menos do que somos), mas existem as lembranças, com as quais nos identificamos e que tomamos por nosso verdadeiro ser.  O caminho para a paz é aquele que nos faz passar das nossas identidades provisórias, irrisórias, transitórias, para a nossa identidade essencial (Eu Sou o que Eu Sou).
Os Padres do Deserto falavam de oito logismoï, ou pacotes de memórias, com os quais nos identificamos e que nos impedem de estar em paz.  São eles:
1. Gastrimargia, ou a identificação com nossas fomes, sedes e apetites, o resultado de todas as nossas necessidades, que e somatizam, na maior parte do tempo, oralmente (bulimia, anorexia);
2. Philarguria, ou o medo de nos faltar algo, que se manifesta pela acumulação de bens inúteis; identificamo-nos e buscamos a segurança, pelo que temos e pelo que possuímos;
3. Pornéia, ou a identificação com a nossa vida pulsional, com o medo de nos faltar vitalidade e desejo;
4. Orgé, ou a dominação do irascível e do emocional, a cólera de não ser reconhecido como “centro  do mundo”, “digno de reconhecimento e respeito”;
5. Lupé, ou a tristeza de não sermos amados como gostaríamos de ser;
6. Acedia, ou a tristeza de não sermos amados de forma alguma, o desespero diante da evidência de que nunca fomos e nunca seremos amados (a menos que cessemos de pedir e nos tornemos capazes de doar);
7. Kenodoxia, ou a vaidade e a presunção que nos identificam com a imagem que fazemos de nós mesmos, independentemente do que somos na verdade; isto só acontece com angústia, e esta é proporcional à diferença que existe entre o que somos e o que pretendemos ser;
8. Uperephania, sem dúvida, a patologia mais grave: trata-se de colocar nossa identidade ilusória como se fosse a única realidade, e tomarmos a nós mesmos por única referência e juizes do que é bom ou mau; considerar todas as coisas em relação ao prazer ou desprazer que elas nos proporcionam e fazer delas uma lei válida para todos.
Aos oito logismoï, ou pensamentos, poderíamos acrescentar muitos outros, como o ciúme, a inveja...  e todas as projeções que nos impedem de ver e de aproveitar o que está no presente.  Não por acaso, mais tarde, os Padres do Deserto chamaram estes pensamentos ou expressões da mente, que constituem obstáculos à apreensão simples e pacífica do que existe e do que somos, de “demônios” (shatan, que, em hebraico, quer dizer: “obstáculo”).
Em resumo, o principal obstáculo à paz, o maior dos demônios é a nossa própria mente, este reservatório de emoções passadas, que se derrama sem parar sobre o presente; este “pacote de memórias” que denominamos ego, ou eu.  Quem sofre ou é infeliz é sempre o eu e nossa identificação com o que não somos realmente.
Que só o presente existe é um segredo bem guardado; o que era, não é mais; o que será, ainda não é; se vivermos eternamente em nossos arrependimentos e projetos, teremos que sofrer e passaremos ao largo do “segredo”... “Ora ao teu Pai que está aí, dentro do segredo”, na presença do que é presente.  São palavras do Evangelho e também palavras de cura...
A morte não existe ainda, ela não é.  Só permanece este “Eu Sou”, que existe desde sempre e para sempre.  Não podemos ir para outro lugar, senão onde estamos; e onde nos encontramos aqui já estamos.  Por que procurar, em outra parte, a vida e a paz que nós somos, se a paz é nossa verdadeira natureza, não está por fazer? 
Trata-se, primeiramente, de conferir menos importância àquilo que nos “impede” de estar em paz; depois, não lhe dar importância alguma, se quisermos; e isto significa aderir, instante após instante, ao que é, com um espírito silencioso, uma mente serena, ou melhor, não identificados com as memórias e com as emoções que essas memórias provocam.
Lembrar-se de que nossa verdadeira natureza está em paz é uma forma universal de oração.  Essa rememoração de nosso ser verdadeiro encontra-se, efetivamente, na base das práticas de meditação de várias culturas ou religiões (dhikr – prática islâmica; japa – modalidade de ioga; hesicasmo – seita antiga de místicos cristãos orientais, etc.).
Temos medo de que?  De perdermos a cabeça, perdermos a alma, de não  sermos o que nossas memórias nos dizem que somos, não sermos coisa alguma do que pensamos ser?  Perdem-se as ilusões, os pensamentos, e fica somente o medo de morrer.  Se eu paro de me identificar com o que deve morrer, permaneço já naquilo que sou desde sempre.
Não pode haver outro artesão da paz que não seja aquele cujo corpo está relaxado, que tem o coração livre e a mente pacificada.  Mesmo o nosso desejo de paz pode tornar-se uma tensão, um nervosismo, um obstáculo à paz, uma obrigação, um dever que se somará à infelicidade e à inquietação do mundo.
Afirmar que estamos em paz não é negar nossos medos, nossas memórias, nossos sofrimentos...  é colocá-los em seus devidos lugares, na corrente insensata e tranqüila da verdadeira Vida...


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"Envelhecimento "

ENTREVISTA DA VEJA COM CIRURGIÃO CARDÍACO CO e CIDADÃO AMERICANO DR. MEHMET OZ - São Paulo - 04.12.2007
A especialidade do cirurgião cardíaco turco e cidadão americano Mehmet Oz, de 47 anos, é retardar ao máximo os efeitos da idade em seus pacientes.  Diretor do Programa de Medicina Integrada da Universidade Colúmbia, em Nova  York, ele é consultor da famosa clínica antienvelhecimento do médico Michael  Roizen, criador do conceito de que é possível manter o organismo mais jovem  do que aponta a idade cronológica. Oz e Roizen também assinam a quatro mãos uma série de livros de sucesso que ensinam como manter um estilo de vida que  adia a velhice. O mais recente deles, You Staying Young (Você Sempre  Jovem), lançado há um mês nos Estados Unidos, já vendeu meio milhão de  exemplares. Nos últimos quatro anos, Oz se tornou uma celebridade ao  participar de um quadro fixo no programa de TV da apresentadora Oprah  Winfrey. Ele também apresenta documentários no Discovery Channel. Nos dois  casos, dá dicas aos telespectadores sobre como viver mais com boa saúde.  Esse é justamente o tema da entrevista que ele deu a VEJA.

BREVE BIOGRAFIA DO DR.OZ

Dr.Mehmet Oz nasceu em Cleveland, Ohio (EUA), dos pais turcos. Ele é casado e pai de quatro filhos. Ele se formou da Harvard Univesity em 1982,  depois fez mestrado e MBA na Universidade de Pennsylvania.
Ele é autor de mais de 350 publicações e vários livros. Em maio de 2005 estava na lista de New York Times Bestseller. Alguns livros e publicações  dele junto com o colega Michael F. Roizen são:

ENTREVISTA

Veja - Existe uma fórmula para se manter jovem por mais tempo?
Oz - Sim.
Há catorze agentes principais envolvidos no  envelhecimento. Sete retardam o processo, como os antioxidantes, e sete nos enfraquecem, como a atrofia muscular. É preciso manter esses agentes sob controle. O primeiro passo para alcançar esse objetivo é pensar não na possibilidade de ficar doente, mas na necessidade de manter o organismo  saudável. Deve-se tirar o foco da prevenção dos males e direcioná-lo para a  preservação da saúde. Se ninguém mais morresse de câncer e de doenças  cardiovasculares, a expectativa de vida média do ser humano subiria apenas  nove anos. Isso mostra que, para aumentar consideravelmente a expectativa de  vida, não basta evitar doenças. É preciso cuidar do corpo para que ele não  enfraqueça. Quando uma pessoa envelhece, doenças potencialmente fatais, como  o câncer e o infarto, não aparecem de imediato. Antes que elas se instalem,  o corpo torna-se mais frágil e vulnerável.

Veja - O que fazer para evitar que o corpo se torne frágil e  vulnerável?
Oz -
Meu novo livro, You Staying Young (Você Sempre Jovem, ainda sem previsão de lançamento no Brasil), trata exatamente desse tema. Os exercícios físicos são uma ferramenta essencial. Eles combatem o primeiro  sinal do envelhecimento, que é a perda de força muscular. Outros recursos  importantes são alimentar-se bem e meditar. Uma boa recomendação é a prática  do tai chi chuan, exercício oriental que combina equilíbrio, coordenação  motora e também meditação. Se todos adotassem essas medidas, a vida média da  população poderia subir para 110 anos. Quanto à alimentação, não podem  faltar nutrientes como o resveratrol da uva e o licopeno do tomate, que são poderosos antioxidantes. O principal, mas também o mais difícil, é controlar  a quantidade dos alimentos. De qualquer forma, todo mundo deve comer um  pouco menos do que tem vontade.

Veja - Fazer várias pequenas refeições por dia, como recomendam alguns  médicos, faz bem para a saúde?
Oz -
Deve-se comer de três em três horas. Se o intervalo é maior, a taxa de hormônio grelina, que estimula a fome, começa a subir. O problema é  que, após uma refeição, ainda demora trinta minutos para que a taxa desse  hormônio volte a baixar. Em conseqüência disso, acaba-se comendo mais do que  se deveria. O mais importante, além de comer alguma coisa a cada três horas,  é trocar as refeições grandes por pequenas, intercaladas por lanchinhos.  Esse conceito não foi criado por mim. É o que mostram as pesquisas  científicas.

Veja - O que o senhor considera refeições grandes e pequenas?
Oz -
Uma refeição grande ultrapassa 1 000 calorias. Uma pequena tem, no máximo, 500. Quem consome por volta de 2 000 calorias diárias pode fazer  duas refeições de 300 calorias cada uma e outra maior, de até 800. Os  lanchinhos podem ter até 250 calorias.

Veja - O que deve ficar de fora do cardápio?
Oz -
Existe uma regrinha fácil de ser usada, a regra dos cinco. Para isso, é preciso examinar o rótulo dos alimentos. Cinco ingredientes não podem estar entre os primeiros listados no rótulo. São eles: gorduras saturadas, gorduras trans, açúcar simples, açúcar invertido e farinha de trigo enriquecida. Dois desses nutrientes são gorduras, dois são açúcares.  Os dois tipos de gordura podem estimular processos inflamatórios no fígado  que forçam a produção de substâncias deletérias, como o colesterol. Também  fazem com que o fígado fique menos sensível à insulina, aumentando o risco  de diabetes. Os açúcares listados fazem mal por estimular a produção de  insulina, o que aumenta o depósito de gordura corporal. O pior é que esses  cinco itens são os mais comuns nas dietas atuais.

Veja - O  cardápio básico do brasileiro, composto de arroz, feijão, carne e salada, é  saudável?
Oz -
A princípio, sim. Esse cardápio contém exatamente os nutrientes para os quais a digestão humana está preparada. Mas os brasileiros comem  carnes muito gordas, o que é errado.. Antigamente, no mundo inteiro, quando  os métodos de criação do gado eram mais simples, a porcentagem de gordura  dos melhores cortes da carne bovina era, em média, de 4%. Hoje é de 30%.  Outro problema dos hábitos alimentares do brasileiro é que ele come arroz em  excesso, o que não traz nenhum benefício. Melhor seria adotar o arroz  integral. Os alimentos integrais têm mais fibras, o que os mantém mais tempo  no intestino e diminui a absorção de açúcar pelo organismo. Uma vantagem dos  brasileiros é ter à disposição enorme variedade de frutas e vegetais  maravilhosos, por preço razoável.

Veja - Os hábitos que o senhor propõe para prolongar a vida são relativamente simples, mas exigem controle estrito sobre as atividades do  dia-a-dia. Como exercer esse controle?
Oz -
A palavra-chave é automatizar. Ou seja, fazer desses hábitos uma rotina, sem precisar pensar muito neles. Acordar, escovar os dentes e passar o fio dental, para reduzir a quantidade de bactérias prejudiciais à saúde. Beber muito líquido ao longo do dia, principalmente água e chá verde.  Dormir ao menos sete horas por noite. Durante o sono se produz o hormônio do  crescimento, essencial mesmo para quem já é adulto, pois prolonga a  juventude. Caminhar meia hora por dia e praticar exercícios que façam suar  três vezes por semana. Meditar cinco minutos diariamente, o que pode estar  embutido na prática de ioga ou tai chi chuan. Evitar alimentos que estejam  na regra dos cinco, que mencionei anteriormente. Uma última coisa: estreitar  o relacionamento com as pessoas próximas e abster-se de julgá-las. Em vez de  julgar os outros, é melhor tomar conta de si próprio.

Veja - Abster-se de julgar os outros ajuda a manter a juventude?
Oz -
Sim, da mesma forma que resolver situações de conflito. O conflito não traz nada de positivo. É apenas desgastante. Costumo recomendar a meus pacientes que procurem as pessoas com quem mantêm uma relação de  animosidade e tentem resolver o impasse. Essa é uma atitude para o bem-estar  próprio. Não há nada de altruísta nela. É uma atitude egoísta.

Veja - O que o senhor acha das dietas para emagrecer que surgem e viram  moda a cada seis meses?
Oz -
Essas dietas fazem sucesso, mas são péssimas para a saúde. A alimentação não deve ser encarada como uma maratona para a perda de peso.  Uma dieta que tenha como chamariz o emagrecimento rápido não é confiável.  Comer menos do que o corpo necessita é uma agressão à fisiologia. Ou seja,  aos processos químicos que fazem o organismo funcionar. Quando a fisiologia  é desprezada, os resultados das dietas são transitórios.

Veja - Por que o senhor recomenda cuidados com o jantar?
Oz -
Na verdade, há uma única regra a observar: deve-se jantar pelo menos três horas antes de dormir. Deitar logo após a refeição facilita o acúmulo de gordura, principalmente na cintura. Além disso, comer muito tarde  prejudica o sono.

Veja - O senhor recomenda beber muita água durante o dia. Quanto se deve  beber exatamente?

Oz -
Deve-se beber uma quantidade suficiente para que a urina esteja sempre clara. Isso varia de um dia para o outro. Em dias quentes, sua-se muito e, por isso, é preciso beber mais água. Para quem não abre mão da cafeína, sugiro chá verde. Em lugar de quatro cafezinhos por dia, beba  quatro copos de chá verde. Essa bebida concentra muitos antioxidantes e  nutrientes bons para a saúde.

Veja - Muitos ambientalistas condenam o consumo de água engarrafada. Do ponto de vista da saúde, ela é melhor que a água da torneira?
Oz -
Eu acho um erro beber água engarrafada. Há dois problemas principais com ela. O primeiro é que, se a garrafa plástica não for reciclada, pode contaminar os mares e os rios. Isso prejudica o meio ambiente e, indiretamente, a saúde. O plástico das embalagens vai parar nos  peixes que comemos. O resultado é que 97% das pessoas apresentam resíduos de  plástico no organismo, o que interfere no sistema hormonal. Esses resíduos  estimulam os receptores de estrogênio, o hormônio feminino. Em excesso, o  estrogênio pode causar câncer e outros problemas. As toxinas contidas no  plástico também aceleram o envelhecimento. O segundo problema é que, como a  água engarrafada não apresenta vantagens com relação à água da torneira, trata-se de um desperdício de dinheiro.

Veja - O senhor recomenda exercícios físicos que provoquem suor. Exercícios leves são inúteis?
Oz -
Essas recomendações visam à saúde cardiovascular. Para essa finalidade, apenas os exercícios moderados ou intensos, que fazem suar,  apresentam benefícios. Mas os exercícios suaves e de baixo impacto têm  valor. Mesmo a caminhada movimenta grandes músculos, como os das coxas e dos  quadris, que consomem muita energia. Como o gasto calórico muscular é maior  durante o exercício, a queima de calorias aumenta.

Veja - Os suplementos vitamínicos são criticados em muitos estudos científicos. O que o senhor acha deles?
Oz -
Eles são eficazes, mas prometem mais do que cumprem. Na verdade, os médicos saem da faculdade sem conhecimentos suficientes sobre os  suplementos e são forçados a tirar suas próprias conclusões. De modo geral,  uma suplementação só é necessária quando as vitaminas não são obtidas  naturalmente com a alimentação. Por outro lado, acredito que determinadas  vitaminas podem melhorar a qualidade de vida e a longevidade. Entre elas  estão as vitaminas A, B, C, D e E, além de cálcio, magnésio, selênio e  zinco. A vitamina D é importantíssima, pois previne câncer e osteoporose.  Principalmente nos países mais frios, onde a exposição solar é restrita, os  suplementos são essenciais.

Veja - Além dos procedimentos já descritos nesta entrevista, o que mais o senhor faz para adiar o envelhecimento?
Oz -
Minha receita principal de juventude é brincar com meus filhos. Também procuro descobrir coisas novas todos os dias. Aprendo ao conversar  com os outros e, apesar de ser muito assediado para responder a perguntas,  por causa de minha atuação na TV, prefiro perguntar, saber como é a vida das  pessoas, como elas trabalham. Isso faz minha mente exercitar-se.

Veja - Nos últimos anos, o aperfeiçoamento do tratamento clínico fez cair o número de cirurgias cardíacas. Essa é uma tendência em outras especialidades médicas além da cardiologia?
Oz -
Sem dúvida. Os recursos clínicos tornaram-se mais eficazes  tanto para a prevenção de doenças quanto para seu tratamento. Por isso, assim como na cardiologia, a cirurgia deixou de ser a primeira opção em outras áreas. Há poucos anos, quando o paciente machucava o joelho, ia  direto para a sala de operação. Agora, ele vai para a sala de fisioterapia.  Essa tendência também é evidente nos casos de diverticulite, uma inflamação  do intestino, que passou a ser tratada com o consumo de fibras. O mesmo  acontece com pacientes que apresentam doença arterial obstrutiva periférica. Antes eles iam para a faca. Agora, recebem como orientação deixar de fumar e  caminhar. Mesmo que sintam dor num primeiro momento, essa é uma maneira de estimular o crescimento de novos vasos sanguíneos para substituir os danificados.

Veja - O senhor já esteve no Brasil. Como foi sua experiência no país?
Oz -
Visitei o Brasil há muitos anos, quando ainda era estudante de medicina. Fui ao Rio de Janeiro e conheci o doutor Ivo Pitanguy. Também  fiquei deslumbrado com as frutas brasileiras e com as lojas de sucos. Elas  misturam frutas e outros vegetais, uma combinação pouco convencional.  Conheci o açaí, que até hoje está no meu cardápio. Compro açaí em Nova York mesmo. É um dos alimentos com maior concentração de antioxidantes. Planejo  voltar ao Brasil em meados do ano que vem para gravar um programa. Quero muito ir à Amazônia e conhecer as plantas medicinais da região.


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"Que a vida lhe beije na boca "

Hilda Lucas

“Que neste ano a vida lhe beije na boca!”, disse uma amiga, e eu fui logo fechando os olhos e imaginando a vida me inundando, me encharcando de alegria e tesão, com um beijo descarado, arrebatador e bendito.

Que a vida lhe beije na boca e lhe tome nos braços e lhe faça gargalhar. Que sua pele se arrepie, seu coração descompasse e seu corpo responda atento, querente, curioso. Que suas mãos toquem, que seus pés criem asas e seus olhos nasçam de novo.

Que seus sonhos despertem e exijam vir a ser; que não haja adiamentos, nem cancelamentos, nem desencontros. Que você esteja sempre na hora certa, no lugar certo, fazendo a escolha certa. Que a vida lhe arraste pelas mãos e lhe descortine horizontes e que você se sinta forte e generoso para ser feliz. Que você diga muitos sins à vida.

Que a vida lhe beije na boca e lhe tire o fôlego. Que você acorde com cafuné e dengo e se renda, pronto para a alegria e para a luta. Que a vida lhe dê elmos, escudos e armas para as batalhas mas que as suas maiores conquistas sejam aquelas feitas de trégua, desarmamento e trabalho. Que a vida lhe traga sabedoria e simplicidade para que haja gozo e fruição no viver.

Que a vida lhe beije na boca e lhe irrigue com coragem, determinação e loucura para fazer e viver tudo o que lhe espera ou que se perdeu de você. Que seja como o sopro de Deus e que a vida aconteça em tudo que estava seco, triste e esquecido.

Que tudo se renove e seja vivificado só porque você se deixou beijar. Que você queira mais, cada vez mais, como um vampiro quer sangue, um bebê quer leite, a terra quer água.

Vício e alimento: que você se vicie em ser alegre e sentir contentamento. Transfusão e cura: que você ressuscite, volte e recomece. Plenitude e transbordamento: que você deixe de lado cegueira, máscaras e desculpas de todo gênero que impedem a sua inteireza e a sua lucidez.

Revelação e ciência: que você cresça e apareça radiante e sereno, ungido. Que você se reconheça nos espelhos da alma e que goste do que vê refletido. Que ser de verdade seja amar a verdade e amar-se de verdade.

Que a vida lhe beije na boca e lhe faça acordar como as sementes que na escuridão do seio da terra são capazes de gestar-se, romper invólucros, desafiar a solidão para conhecer a luz. Que o beijo da vida lhe traga a força das sementes e que você geste e dê à luz tudo que você quer ser e viver.

Que a vida lhe beije na boca e você esqueça o passado - as nostalgias, os ressentimentos, as frustrações e o futuro - as esperanças, o controle, as projeções por que nada é mais intenso e perfeito do que o momento em que você está totalmente presente, entregue, confiante, em harmonia.

Que o beijo da vida se perpetue no presente, por que só o presente existe. Nada é mais eterno que o presente e nada depende mais de você do que o jeito como você vive o seu agora, a sua eternidade. Que você escolha beijos e não quimeras.

Que você beije a vida na boca em retribuição, como um bom amante, como só os bem-amados sabem, porque viver é irresistível e não há alegria maior do que ser perdidamente apaixonado pela vida. Que esta seja sua grande história de amor


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"Relacionamentos"

Arnaldo Jabor

Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim.
Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah,terminei o namoro...
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo.....
- Cinco anos...que pena...acabou....
- é...não deu certo...
 
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes voce não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...se não bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar.... ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
O legal é alguém que está com você, só por você. E vice versa.
Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.
Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração.....
Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse....
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar...
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ?????


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"Se não quiser adoecer, fale de seus sentimentos..."

Dr. Dráuzio Varela

Se não quiser adoecer – “Tome decisão”.

A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia.
A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões.
A história humana é cheia de decisões, para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros.
As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer – “Busque soluções”.

Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas.
Preferem a lamentaçaão, a murmuração, o pessimismo.
Melhor acender o fósforo que lamentar a escuridão.
Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos.
O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer – “Não viva de aparências”.

Quem esconde a realidade, finge, faz pose, quer sempre dar a impressão de que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho, etc..., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro.
Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas.
São pessoas com muito verniz e pouca raiz.
Seu destino é a famácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer – “Aceite-se”.

A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz\ com que sejamos algozes de nós mesmos.
Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável.
Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores.
Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.
Se não quiser adoecer – “Confie”.

Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras.
Sem confiança, não há relacionamento.
A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

Se não quiser adoecer – “Não viva sempre triste”.

O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa.
A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive.
“O bom humor nos salva das mãos do doutor”.

Alegria é saúde e terapia.


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"Não estás deprimido, estás distraído... "

Facundo Cabral

Uma mente treinada é uma mente atenta, ativa, preparada para novos desafios todos os dias. Uma mente treinada não tem tempo para depressão pois está focada em suas metas, em conquistar o sucesso, em liderar seu destino.

Reflexão escrita por Facundo Cabral, cantor e compositor argentino

Não estás deprimido, estás distraído…
Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação á vida que te rodeia: Golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caias como caiu teu Irmão que sofre por um único ser humano, quando existem cinco mil e seiscentos milhões no mundo. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me… o que é fundamental para viver.
Não faças o que faz teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos e esquece que Moisés comandou o Exôdo aos oitenta e Rubenstein interpretava Chopin com uma mestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.
Não estás deprimido, estás distraído...

Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo da tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma.
Além disso, a vida não te tira coisas: te liberta de coisas… alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude.
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são lições.
Não perdeste coisa alguma: Aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direcção.
E não esqueças, que o melhor dele, o Amor, continua vivo em teu coração. Não existe a morte… apenas a mudança.
E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, o Arcanjo Miguel, Whitman, São Agostinho, Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos magoa, porque nos torna desconfiados.
Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está bendita mente condenado ao sucesso, que chegará quando for hora, porque o que deve ser será e chegará de forma natural.
Não faças coisa alguma por obrigação ou por um compromisso, apenas faz por amor. Então, terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida, a mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo. E só então poderás partilhar a vida verdadeira com os outros.
Lembra-te: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”. Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exacto momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz estarás levando amargura para todos os teus vizinhos. Um único homem que não possuiu talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.
Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. Podemos experimentar a neve no Inverno e as flores na Primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os Boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.
E se estás com cancro ou sida, podem acontecer duas coisas e ambas são positivas: se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas)… se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido… portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vontade, disposta a viver cada instante profundamente, como deve ser.

Não estás deprimido, estás desocupado.
Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho.
Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for a tua vez.
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.
Dá sem medida e receberás sem medida.
Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda, converte-te no próprio Amor.
E não te deixes enganar por alguns homicidas suicidas.
O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso.
Uma bomba faz mais barulho que uma carícia, porém, para cada bomba que destrói, há milhões de carícias que alimentam a vida. Vale a Pena?!
Se Deus possuísse uma geladeira, teria a tua foto pregada nela. Se Ele possuísse uma carteira, tua foto estaria nela. Ele te envia flores a cada Primavera. Ele te envia um amanhecer a cada manhã. Cada vez que desejas falar, Ele te escuta. Ele poderia viver em qualquer ponto do Universo, mas escolheu o teu coração. Encara, Amigo, Ele Ama-te.
Deus não te prometeu dias sem dor, riso sem tristeza, sol sem chuva, porém, Ele prometeu força para cada dia, consolo para as lágrimas e luz para o caminho.
“Quando a vida te trouxer mil razões para chorar, mostra que tens mil e uma razões para sorrir”.


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"Beijo na Realidade "

Palestra sobre “Filosofia do Comportamento” ministrada por Luiz Alca de Sant’Anna

A superação, essa capacidade de superar as adversidades é que pode dar ao homem, o sentido da divindade ou uma certa qualidade dos deuses ou dos mestres iluminados, sem querer se comparar com eles, porque a humildade é fundamental para isso. Superar é acreditar no destino e não lutar contra, como pensam muitos incrédulos. Os gregos acreditavam tanto nele, que antes da filosofia, as Moiras ou Parcas eram responsáveis pela organização da vida, explicando a inexorabilidade de acontecimentos ligados à Grande Ordem. Mais tarde, Sêneca, o filósofo maior do estoicismo dizia que o importante é o que se faz, dado o fato consumado, ou melhor, o ".fado" de cada um. Eis porque Nietzsche falava em "amor fati", o amor ao destino, o afeto por tudo o que nos envolve. O que nos ajuda a tomar decisões sobre o que nos sucedeu, não antes.

Resiliência - Esse termo emprestado da Física hoje é o ponto-chave do processo de superação.Trata-se da capacidade de um material de retomar.ao seu estado original após sofrer uma grande pressão. A energia armazenada em um corpo alterado elasticamente, que faz, por exemplo, uma almofada retomar ao seu estado original depois de amassada porque alguém sentou em cima. Sem receitas, por favor, já que não existem, mas com consciência' da possibilidade do retorno ao estado anterior, ainda que de forma diferente sempre.

O que ajuda - Uma psicóloga húngara Eva Eger, sobrevivente de um campo de concentração e mestra em superação fala de algumas condições que ajudam, ainda que não definam um resiliente: ambiente familiar interessado, dificuldades não vistas como intransponíveis, formação intelectual mais aberta e livre de preconceitos, orientação sem imperialismos ou esconderijos em status e poder, convívio com a arte, limites claros sem "nãos" fechados, indicação de espírito publico. E completa com o que engloba tudo: a fuga determinada da superproteção, caso contrário, será mantida a infantilidade na vida adulta ou a puberdade eterna.

Doze degraus - Já o francês Michel de Grás, fala de 12 degraus na escada que leva à superação:
Positividade - a manutenção do bom humor e o pensamento leve;
Tenacidade - acreditar numa solução e persistir até onde for possível;
Jogo de cintura - a necessária flexibilidade, superação é avessa à rigidez;
Volitividade - não basta querer, é preciso ouvir a voz do desejo e ter vontade de agir;
Valorização - acreditar que você pode se ajudar;
Criatividade - jamais descrer da nossa capacidade de recuperação e transformação;
Auto-verdade - conhecer a natureza das próprias falhas e não negar os problemas;
Liberdade - pensamento livre de padrões para que se ouça instintos e intuições;
Compartilhar - contar com os amigos sem desconfiança e com a humildade de pedir ajuda;
Adaptação - uma forma de inteligência;
Fé - investir no sentido de sua vida;
Amor sem medos - já que o afeto é a maior força da vida humana, em qualquer tempo.

Beijo na realidade - Pode parecer impossível para quem está fragilizado, mas um momento lindo da passagem humana é quando já conseguimos dar o beijo na realidade ao invés de esbofeteá-Ia ou lamuriar-se por ter de conviver com ela, afastando de vez a vitimidade e não criando problemas onde não existem. A dor é inevitável, o sofrimento continuado é opcional. Ficar de bem com a vida, pelo menos de vez em quando é uma atitude da alma, tranqüila ou agitada, de acordo com o momento, uma tomada de consciência e lucidez e não, abrir um falso sorriso na fisionomia ou aparentar uma postura de passividade. A superação jamais é passiva, embora nos traga a paz. Chega um amadurecido momento em que percebemos que a realidade não é a nossa verdade, mas é um caminho para que cheguemos a ela ao usar da transformação e a interpretação. Eis que, agradecidos, então, lhe damos um beijo carinhoso pela contribuição à nossa história, ao cumprimento do destino, quase como uma carinhosa e antecipada despedida.


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"Cuidado com os burros motivados "

Entrevista publicada na revista Isto É em 19.10.2005

Em Heróis de verdade, o escritor combate a supervalorização da aparência e diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.

Camilo Vannuchi

Observador contumaz das manias humanas, Roberto Shinyashiki está cansado dos jogos de aparência que tomaram conta das corporações e das famílias. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o que imaginam que deve ser dito. Num teatro constante, são todos felizes, motivados, corretos, embora muitas vezes pequem na competência. Dizem-se perfeccionistas: ninguém comete falhas, ninguém erra. Como Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) em Poema em linha reta, o psiquiatra não compartilha da síndrome de super-heróis. “Nunca conheci quem tivesse levado porrada na vida (...) Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi senão príncipe”, dizem os versos que o inspiraram a escrever Heróis de verdade (Editora Gente, 168 págs., R$ 25). Farto de semideuses, Roberto Shinyashiki faz soar seu alerta por uma mudança de atitude. “O mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras.”

ISTOÉ – Quem são os heróis de verdade?
Roberto Shinyashiki – Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão
de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida,
e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

ISTOÉ – O Sr. citaria exemplos?
Shinyashiki – Dona Zilda Arns, que não vai a determinados programas de tevê nem aparece de Cartier, mas está salvando milhões de pessoas. Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito “100% Jardim Irene”. É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.

ISTOÉ – Qual o resultado disso?
Shinyashiki – Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

ISTOÉ – Por quê?
Shinyashiki – O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTOÉ – Há um script estabelecido?
Shinyashiki – Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um presidente de multinacional no programa O aprendiz? “Qual é seu defeito?” Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: “Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar.” É exatamente o que o chefe
quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me disse: “Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir.” Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?

ISTOÉ – Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?
Shinyashiki – Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

ISTOÉ – Está sobrando auto-estima?
Shinyashiki – Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parece que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

ISTOÉ – Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?
Shinyashiki – Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: “Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham.” Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

ISTOÉ – O conceito muda quando a expectativa não se comprova?
Shinyashiki – Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.

ISTOÉ – É comum colocar a culpa nos outros?
Shinyashiki – Sim. Há uma tendência a reclamar, dar desculpas e acusar alguém. Eu vejo as pessoas escondendo suas humanidades. Todas as empresas definem uma meta de crescimento no começo do ano. O presidente estabelece que a meta é crescer 15%, mas, se perguntar a ele em que está baseada essa expectativa, ele não vai saber responder. Ele estabelece um valor aleatoriamente, os diretores fingem que é factível e os vendedores já partem do princípio de que a meta não será cumprida e passam a buscar explicações para, no final do ano, justificar. A maioria das metas estabelecidas no Brasil não leva em conta a evolução do setor. É uma chutação total.

ISTOÉ – Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?
Shinyashiki – Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros. Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo. Um amigão me perguntou: “Quem decidiu publicar esse livro?” Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.

ISTOÉ – Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?
Shinyashiki – O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas. A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

ISTOÉ – Muitas pessoas têm buscado
sonhos que não são seus?
Shinyashiki – A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: “Você tem de estar feliz todos os dias.” A terceira é: “Você tem que comprar tudo o que puder.” O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: “Você tem de fazer as coisas do jeito certo.” Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você precisa ser feliz tomando sorvete, levando os filhos para brincar.

ISTOÉ – O sr. visita mestres na Índia com freqüência. Há alguma
parábola que o sr. aprendeu com eles que o ajude a agir?
Shinyashiki – Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: “Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero ser feliz.” Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis. Uma história que aprendi na Índia me ensinou muito. O sujeito fugia de um urso e caiu em um barranco. Conseguiu se pendurar em algumas raízes. O urso tentava pegá-lo. Embaixo, onças pulavam para agarrar seu pé. No maior sufoco, o sujeito olha para
o lado e vê um arbusto com um morango. Ele pega o morango, admira sua beleza e o saboreia. Cada vez mais nós temos ursos e onças à nossa volta. Mas é preciso comer os morangos.

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